sexta-feira, 1 de maio de 2009

DOIS EM CENA

FORA DO AR

terça-feira, 21 de abril de 2009

CONTINUAÇÃO - SHARIA

Limpeza sistemática

O que é a sharia?

A doutrina dos direitos e deveres religiosos do islã. Abrange as obrigações cultuais (orações, jejuns, esmolas, peregrinações), as normas éticas, bem como os preceitos fundamentais para todas as áreas da vida (matrimônio, herança, propriedade e bens, economia e segurança interna e externa da sociedade). Originou-se entre os séculos VII e X d.C. a partir dos trabalhos de sistematização realizados por eruditos e legisladores islâmicos e baseia-se no Corão, suplementado pela Suna, a descrição dos atos normativos do profeta Maomé.

Com seus ataques planejados, os muçulmanos tentam forçar a emigração dos cristãos, especialmente das províncias multireligiosas do centro da Nigéria (como Adamara, Plateau State e Taraba). No final de fevereiro de 2003, muçulmanos armados atacaram cristãos em Adamara, matando pelo menos 100 pessoas. Mais de 500 ficaram gravemente feridas, cerca de 130 casas e algumas igrejas foram queimadas e mais de 21.000 habitantes foram expulsos da região. Entre setembro de 2001 e abril de 2003 foram mortas mais de 6.000 pessoas e 500.000 foram expulsas de Plateau State. Dentre os diversos grupos étnicos da Nigéria, o povo Tiv, predominantemente cristão, que ocupava o Centro e o Sul do país, foi enxotado pelos povos muçulmanos dos Hausa, Fulani e Jukun e milhares de pessoas foram assassinadas. Ataques desse tipo são organizados e perpetrados constantemente por grupos islâmicos fortemente armados vindos de países vizinhos como Chade, Níger e Mali.

Implantação da sharia

Nas províncias ‘limpas de cristãos’ e agora majoritariamente islâmicas o passo seguinte é a implantação da sharia. Hoje, doze das 36 províncias da Nigéria já a têm como legislação suprema. Com mais seis províncias islamizadas a Nigéria seria majoritariamente muçulmana! As ‘províncias da sharia’ teriam, assim, a possibilidade de impor a lei islâmica ao país inteiro. Mesmo que os líderes muçulmanos declarem sempre que a sharia só é aplicada a muçulmanos, a realidade nas doze ‘províncias da sharia’ fala uma linguagem bem diferente.

Sharia para cristãos

Nas províncias administradas segundo os preceitos da sharia islâmica, quase não são mais construídas novas igrejas, pois elas certamente estariam muito próximas de alguma mesquita. Casamentos entre cristãos e muçulmanos são permitidos apenas quando o noivo é muçulmano; os filhos são considerados muçulmanos e devem ser educados como tais. Conversões de muçulmanos ao cristianismo continuam proibidas. Como acontece no Paquistão, os cristãos podem ser sumariamente acusados de ‘blasfêmia’ contra o profeta Maomé ou contra o islã. Cristãos devem estar sempre sob as ordens de patrões muçulmanos. Além disso, é comum que moradores de aldeias muçulmanas apliquem a lei islâmica sem interferência das autoridades: segundo declarações de organizações de direitos humanos confiáveis, muitas vezes as mãos e os pés de ladrões sãos cortados ou os consumidores de álcool são açoitados sem qualquer processo ou julgamento. Mas há esperança: impressionados com a perseverança e a firmeza dos cristãos em um ambiente hostil, nos últimos anos alguns muçulmanos encontraram a Jesus inclusive em províncias islâmicas como Kano e Kaduna.[1]

Ataque na Nigéria mata 600. Maioria das vítimas é cristã

Lagos – Porta-vozes comunitários cristãos de Kano, no Norte da Nigéria, afirmam que pelo menos 600 pessoas, a maioria de fé cristã, morreram nos ataques de militantes muçulmanos, que também incendiaram uma dezena de igrejas e centenas de casas e negócios de seus rivais. Cerca de 30 mil pessoas tiveram que sair de seus lares para fugir dos confrontos, informaram líderes locais da Associação Cristã da Nigéria, por telefone, desde Kano. (Correio do Povo, 14/5/04)

O islã está avançando. Ele espalha-se por todos os continentes abrindo caminho para a implantação da sharia. Jamais um muçulmano convicto, que vive segundo as leis islâmicas, irá curvar-se diante de um governo democrático ou se sentirá comprometido com uma democracia ocidental. Por isso está sendo tão difícil o estabelecimento de um regime democrático no Iraque e no Afeganistão. Pelas leis islâmicas isso nem seria possível, pois assim o islã deixaria de ser islã. Mas ai dos países onde se instala a sharia! Seja no Oriente Médio, na Ásia, na África ou em qualquer parte do mundo – onde a sharia torna-se lei, a liberdade acaba. Onde os preceitos islâmicos são seguidos ao pé da letra os direitos humanos são ignorados, pessoas são discriminadas e nenhuma crença além do islã é tolerada. Na Arábia Saudita, onde a sharia é o fundamento das leis, houve recentemente um atentado, com onze mortos, num bairro onde residem estrangeiros. Parece que poucos no Ocidente se importam que a Arábia Saudita seja um dos países que apóiam financeiramente as famílias dos terroristas-suicidas palestinos. Hoje o maior perigo terrorista vem dos grupos militantes do mundo islâmico que se baseiam na sharia. Não se trata apenas do Hamas, do Hezbollah ou da rede Al Qaeda, mas também de terroristas do Iêmen, da Argélia e do Abu Sayaf filipino. A nuvem de militantes islâmicos torna-se cada vez maior e mais densa, mas também mais negra e assustadora. Seja Israel, em seu conflito com grupos terroristas, os Estados Unidos no Iraque ou os países da África – todos são quase impotentes diante da ameaça terrorista, pois pouco podem fazer para impedir os ataques-suicidas. Como pode-se ameaçar ou dissuadir a quem está tão cheio de ódio por aqueles que não compartilham sua visão a ponto de jogar fora a própria vida para alcançar seus "direitos"? A sharia tornou-se um flagelo para a humanidade nos países onde impera, e parece estar abrindo caminho sem se deter diante do Ocidente.

Esse fenômeno só pode ser explicado no contexto do cenário dos "tempos finais". É tempo do fim em qualquer área, inclusive na religiosa. Apostatar de Deus e de Sua Palavra são atitudes que têm aumentado constantemente. Isso torna as pessoas cada vez mais cegas diante dos perigos e enganos religiosos.

Lemos na Segunda Carta aos Tessalonicenses: "É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça" (2 Ts 2.11-12). É justamente o mundo ocidental que está se despindo de seu manto "cristão" e se despojando de tudo o que lembra o cristianismo ou que se aproxime das verdades bíblicas. Mas, ao fazer isso, parece não perceber que está passando a usar uma camisa-de-força imposta por outras influências. Onde Jesus Cristo e Sua Palavra são colocados de lado, idéias brutais e cruéis, estranhas e erradas passam a ocupar seu lugar. Não é de admirar que Deus entregue uma nação à ditadura de poderes ou ideologias injustas quando esta pisa Seu amor com os pés. Onde existe prazer com a injustiça ela rapidamente se instala e assume o comando.

"Povos todos, escutai isto; dai ouvidos, moradores todos da terra" (Sl 49.1). (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br/)
Nota:
1. Christian Solidarity International, CSI.Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, junho de 2004.

Norbert Lieth será um dos preletores do 11º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética - Águas de Lindóia, 21 a 24/10/2009. Mais detalhes aqui »

segunda-feira, 6 de abril de 2009

ARQUIVO DILMA ROUSSEFF
















CONSTRUINDO UM DILMA....UMA QUE CAIBA NO GOSTO POPULAR, OF COURSE.
A Dilma Rousseff que todos conhecem lutou contra a ditadura, foi presa e torturada. Virou ministra, enfrentou várias crises no governo e é candidata não oficial à presidência nas próximas eleições. A Dilma que quase ninguém conhece sentia culpa de ir trabalhar e deixar a filha em casa, ri de si própria e se diverte com os programas de sátira a seu respeito. Diz que se sentiu nua quando a imprensa começou a vasculhar sua vida pessoal. Em entrevista exclusiva à Marie Claire, ela fala que preferia os tempos em que os homens cortejavam as mulheres, acha que esse negócio de ficar não funciona bem para nós e diz que é a favor da legalização do aborto
A ministra em seu gabinete. Uma linha de telefonesó para falar com o presidente
O gabinete da ministra da casa civil, Dilma Rousseff, 61 anos, é amplo e bem arrumado. Um sofá, duas poltronas, uma mesa de centro com livros ilustrativos do Brasil. Atrás da grande mesa de trabalho, um bufê com alguns porta-retratos: uma foto da filha, Paula, advogada de 31 anos, seu maior xodó, outra com o presidente. Uma imagem de Iemanjá, 'presente do governador da Bahia, Jaques Wagner', e outras duas de santas barrocas. Em uma das paredes, duas fotos ampliadas dela com Lula. A mais famosa é a que ele coloca as mãos sujas de petróleo nas costas da ministra, em uma espécie de 'batismo' de óleo. Um telefone que é usado somente para falar com ele. São sinais que mostram sua relação afinada com o presidente. Dilma é hoje a mulher mais forte do governo. À frente do PAC (Plano de Aceleração ao Crescimento), é a candidata natural do PT à presidência da República. Entramos no gabinete esperando encontrar a Dilma que todo mundo conhece - ou acha que conhece. Dura, séria, um tantinho mal-humorada. Encontramos uma mulher sorridente, que nos cumprimentou com dois beijinhos. Vestida num terninho azul-claro, regata branca, colar de pérolas, relógio, fitinha do Senhor do Bonfim amarrada no pulso (presente de Flora Gil, objeto de um pedido do qual nem lembra mais), Dilma nos deixou à vontade logo nos cinco primeiros minutos de conversa. Sem brincos e sentada em uma mesa redonda de reunião, com vista para a Esplanada dos Ministérios, Dilma puxou uma edição de Marie Claire trazida por sua assessora e apontou uma foto da atriz Larissa Maciel, que fez o papel da cantora Maysa na minissérie global. 'Como essa menina está linda nesta foto. Mais bonita do que na minissérie', disse. 'Sabe por quê? Porque aqui as feições estão suavizadas.' Assim como as dela mesma, depois da plástica feita no início do ano. Ela age como se ainda estivesse se acostumando ao novo visual - enquanto fala, ajeita os cabelos, puxa para frente, joga um pouco para o lado. Aqui, uma das armas da mídia para amenizar a Dilma real
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Fiquem certos, essa estratégia será muito, mas muito usada daqui para frente. Ela se sentará no sofá da Hebe, será entrevistada por outras revistas de moda e decoração, fará brigadeiro com a Ana Maria Braga, enfim, todos os meios serão usados para fazer com que nós, principalmente nós, mulheres, compremos a ideia de uma Dilma competente, mulher, mãe de família e esqueçamos de contabilizar em nossa opinião final sobre ela, aquela face que gostariam de esconder. A Estela, a Wanda, a Luiza...enfim, as muitas faces dessa Eva .Essa reportagem está sendo mostrada na Marie Claire desse mês, cuja a capa é a Giselle...
A revista começou bem, sim, há uma Dilma que ninguém conhece, mas não é a mãe e só...é a Estela, Wilma..Luiza e fiquem certos, nenhum caberia em uma música do Jobim...Afinal, quem é verdeiramente Dilma?

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Dilma, MENTIRA nunca mais
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Dilma Roussef, a atual Ministra da Casa Civil que usou Estela como um de seus codinomes, insiste no seu papel de vítima de supostas torturas na época da ditadura militar. Entretanto, quem estiver disposto a procurar pela veracidade do seu sofrimento, não encontra nada que a comprove. Seu nome é ignorado por diversos movimentos e grupos como Tortura Nunca Mais, por exemplo. Dilma Roussef não é sequer citada em livros ou sites que tratam do assunto; seu nome não faz parte da relação de torturados em canto algum . E mais, mesmo entrando em contato com tais movimentos, sabemos que, para eles, Dilma não passa de uma 'desconhecida no ramo' .
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Abaixo, trechos do livro "Brasil Nunca Mais, um relato da história", editado pela Arquidiocese de São Paulo (que não respondeu à carta enviada sobre o alardeado sofrimento de nossa ministra), em que são citados nomes e números de diversos processos contra terroristas.
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Estranho que um grupo tenha se empenhado por cinco longos anos para levantar denúncias de pessoas torturadas ou de testemunhas de tais fatos sem que apareça o nome da terrorista Estela, apresentada hoje como tão importante à oposição ao governo ditatorial da época. Ou sequer surja em alguma página dos "documentos produzidos pelas próprias autoridades encarregadas dessa tarefa", como diz o último parágrafo. Mais estranho ainda que Estela/Dilma, com sua personalidade forte, deixasse seu sofrimento passar em branco, sem que fizesse alguma denúncia.
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Um dos casos mais comentados sobre a ... "virilidade" de Dilma Rousseff é o assalto ao cofre de Adhemar de Barros. Mas o livro Brasil Nunca Mais, ao se referir ao assunto, também a ignora, como vemos abaixo.***Teria sido Dilma Rousseff tão importante quanto pretendem mostrar?
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Imperdível no Blog Casa da mãe Joana,continue lendo aqui

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O Blog Coturno Noturno começou um trabalho de desnudamento da candidata Dilma Rousseff do PT a presidência da República. Todos nós devemos participar ativamente desse trabalho do Coronel.Coloco a seguir na íntegra seu post e peço a todos que leiam. É para o nosso bem. Para o bem do Brasil.Esquecer jamais, perdoar nunca.
O Coturno Noturno está começando a publicação de uma série de selos - VEJA AO LADO - que relembrem os assassinatos cometidos pelo grupo terrorista de Dilma Rousseff, desde a VPR até a VAR-Palmares. Postem nos comentários os links onde podemos encontrar fotos das vítimas, com um resumo da ação criminosa. Links com fotos, ok? Fotos são indispensáveis! Vamos fazer Dilma Rousseff, tão esquecida, lembrar da história completa.
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O que precisamos são fotos dos seguintes brasileiros assassinados pela VPR:
Noel de Oliveira Ramos, Estanislau Ignácio Correia,Orlando Pinto da Silva, Cidelino Palmeiras do Nascimento, Aparecido dos Santos Oliveira, Kurt Kriegel, Garibaldo de Queiroz, José Aleixo Nunes, Hélio de Carvalho Araújo, José do Amaral, David A. Cuthberg e Sílvio Nunes Alves.
( Coronel)
CRIMES COMETIDOS PELA VPR E VAR-PALMARES
Para refrescar a memória da Dilma.


Vamos acompanhar muito de perto e vamos participar.Aqui o endereço do Coturno Noturno.

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NÃO PODEMOS NOS ESQUECER DELA, DE SEU PASSADO. É HORA DE DESNUDA-LA. CONHECE-LA
Dilma, o passado e a delaçãoReinaldo Azevedo
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi confrontada com o passado no fim de semana. Duas publicações revisitaram, ouvindo contemporâneos e amigos da ministra, o envolvimento dela com a guerrilha, no período da ditadura militar. Reportagem publicada na edição deste mês da revista "Piauí" revela um caso em que Dilma, depois de torturada, teria delatado um colega.Hoje caminhoneiro, Natael Custódio Barbosa conta que, no fim de janeiro de 1970, foi a um encontro marcado com Dilma e acabou preso. Ele chegou a encontrar a então militante, mas foi surpreendido pela polícia."Ela fez aquela cara de desespero e eles caíram imediatamente em cima de mim", disse Natael, que completou:"Nunca mais a vi. Ela me entregou porque foi muito torturada, e eu entendo. Acho que me escolheu porque eu era da base operária, não conhecia liderança alguma".Em entrevista à "Folha de S.Paulo", a ministra Dilma Rousseff diz não ter hoje a mesma cabeça da época e que já esqueceu muita coisa do período de torturas:"Uma parte você tentava esquecer. Sabe que teve uma época em que eu falei uma coisa que eu achava que era verdade e não era. Era mentira que eu tinha contado e aí depois eu descobri que era mentira. Você conta e se convence".Na mesma reportagem, Antonio Spinosa, ex-colega da ministra, afirma que, em 1969, o grupo armado que dirigiam planejou uma ação contra o então ministro da Fazenda, Delfim Netto , hoje aliado de Dilma." Todos os dias arranjam uma ação para mim. Agora é o sequestro do Delfim? Ele vai morrer de rir "Um mapa da emboscada preparada para Delfim consta de um dos processos no Superior Tribunal Militar (STM) que condenou militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Na reportagem, Dilma negou com veemência a participação no plano."Acho que o Spinosa fantasiou essa. Sei lá o que ele fez, eu não me lembro disso", afirmou Dilma, que em seguida foi ainda mais enfática:"Todos os dias arranjam uma ação para mim. Agora é o sequestro do Delfim? Ele vai morrer de rir. Estou te fazendo (à repórter) uma negativa peremptória".

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Escondendo a fofa da crise!
Escondendo Dilma da crise
Queda de 10 pontos porcentuais na avaliação positiva do governo Lula só mostra que a economia e a popularidade sempre apontam para a mesma direção
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr Fonte: Revista VejaPesquisas qualitativas encomendadas pelo Palácio do Planalto mostram que a população já começa a apontar o presidente como responsável pelo aumento do desemprego e pela diminuição do poder de compra.Politicamente, a inflexão da linha de popularidade do presidente também já provoca mudança de estratégia na pré-campanha presidencial.Está decidido, por exemplo, que haverá dois gabinetes oficiais para lidar com a crise – o das boas e o das más notícias.O primeiro ficará encarregado do anúncio de novos programas sociais, da inauguração de obras e da divulgação de resultados positivos. Terá como porta-voz a ministra Dilma Rousseff, a candidata do governo à sucessão de Lula.O segundo, que responderá pelo PIB, desemprego e problemas em geral, ficará sob a responsabilidade dos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento."Dilma vai cumprir o papel de senhora das boas notícias. Ela não vai mais pronunciar a palavra crise", afirma um dirigente petista.-----------------Via The Passira News
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A entrevista na Folha de São Paulo - 4 de abril de 2009

Dilma diz não ter a mesma cabeça da época em que era guerrilheira; veja a íntegra da entrevista
( Será? Eu, juro, tenho minhas dúvidas!!! Muitas dúvidas por sinal)
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FERNANDA ODILLA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A ministra Dilma Rousseff conversou com a Folha por telefone, na segunda-feira passada, por quase uma hora. Falou das organizações em que militou, da tortura e dos torturadores. Admite que episódios do passado estão ficando obscuros. Na época em que pegou em armas para combater o regime militar, diz ela, "achava que estava fazendo tudo pelo bem da humanidade". Disse não se lembrar do plano para sequestrar Delfim Netto e negou ter sido informada da ação. "Todos os dias arranjam uma ação para mim. Agora é o sequestro do Delfim? Ele vai morrer de rir". A seguir, a íntegra da entrevista.

FOLHA - A senhora não se lembra dos planos de sequestrar Delfim e de montar a fábrica...
DILMA - Nem sabia que houve. Qual era o outro?

FOLHA - Construir uma fábrica de bombas acionadas por controle remoto.
DILMA - Ah, pelo amor de Deus. Nenhuma das duas eu lembro e nunca me perguntaram. Veja bem, nunca ninguém do Exército, da Marinha e da Aeronáutica me perguntou isso.

FOLHA - Antônio Roberto Espinosa [ex-comandante da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares] me disse que logo, depois do racha, a VAR começou a se reestruturar e a traçar alguns planos. Apesar de estar mais focada na mobilização operária e estudantil, havia dois planos que ele considerava ousados e que não deram certo: sequestro do Delfim Netto e o outro...
DILMA - Eu não participei disso.

FOLHA - Ele diz que era o responsável direto da ação e que informou ao comando, que seria composto pela senhora, o Carlos Aberto Soares de Freitas, o Loyola [Mariano Joaquim da Silva] e o Max [Carlos Araújo, segundo ex-marido de Dilma].
DILMA - Deixa eu te explicar uma coisa, eu tinha saído do comando. Quando houve a fusão, eu saí do comando e fui para São Paulo. Quando recompôs, eu fui presa. Eu não sei o que eles iam fazer.

FOLHA - O que Espinosa fala é que, depois do racha, a senhora era do comando.
DILMA- Ah minha santa, eu não me lembro disso mais. Não sei se fui, se não fui. É um período muito pequeno até a queda. Eu sou uma das primeiras a cair. Eles só vão cair lá para a metade do ano.

FOLHA - O Espinosa cai antes...
DILMA- Na minha cabeça eu achava que ele tinha sido preso depois.

FOLHA - Ele foi preso em novembro de 1969, com o Chael [Screier, morto pela repressão] e a Dodora [Maria Auxiliadora Lara Barcelos].
DILMA- Tá certo. Eu saio em setembro do Rio.

FOLHA - Eu encontrei no inquérito da VAR um mapa que foi apreendido na rua Aquidabã, quando a Dodora, o Chael e ele [Espinosa] foram presos. O mapa, que o Delfim reconheceu, era um lugar que ele frequentava. É um sítio do cunhado dele no interior de São Paulo e o Espinosa disse que a ação seria no interior de São Paulo.
DILMA- Ô minha santa, aí é ele quem sabe disso.

FOLHA - Te surpreende um plano para sequestrar o Delfim naquele momento?
DILMA- Eu acho que não era o que a gente [queria], não era essa a posição do pessoal da VAR. Nós não éramos a favor de ações armadas desse tipo.

FOLHA - De qualquer forma, depois do racha o dinheiro do cofre [com US$ 2,4 milhões do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros] foi dividido, não? E o sequestro daria visibilidade à organização.
DILMA- Acho muito difícil ter acabado [o dinheiro do cofre]. Eu não cuidava dele. O que uma fábrica de bombas traz dinheiro? Não entendo. Precisava estar numa linha de luta armada e a gente não estava muito [nessa linha]. A gente não acreditava nisso.

FOLHA - Como foi o início da militância da senhora, sair de estudante no Estadual Central e entrar na Polop?
DILMA- Era uma coisa muito natural, as organizações eram estudantis. Era um prolongamento do que se fazia, distribuir panfleto na escola, participar de manifestação estudantil. É normal. Na minha época, logo no inicinho, não havia essa distinção tão forte [entre simpatizante e militante].

FOLHA - A senhora estava tomando café da manhã na [lanchonete, em Belo Horizonte] Torre Eiffel quando ficou sabendo do AI-5?
DILMA- Não era bem café da manhã. A gente tomava um cafezinho e comia um pão de queijo. Você se lembra da Torre Eiffel? Ela ainda existe?
FOLHA - Agora só faz salgados para fora, não é mais uma lanchonete.
DILMA- Eu gostava da empadinha de queijo, de massa podre, era muito boa.

FOLHA - Mas a senhora estava tomando cafezinho com pão de queijo quando...
DILMA- Um dos meninos passou, um companheiro de organização disse: "Decretaram o AI-5".

FOLHA - Já tinham começado a cair os primeiros companheiros da Colina?
DILMA- Não. Eu estou de falando não, mas minha cabeça não é confiável. Na minha cabeça, não tinham caído. Vão cair depois. Eu tenho impressão que não tinham sido presos ainda não.

FOLHA - A senhora logo percebeu que a clandestinidade seria o caminho natural?
DILMA- Eu percebi. Todo mundo achava que podia haver no Brasil algo muito terrível como o que aconteceu na Indonésia. Esse receio de que um dia eles amanheceriam e começariam a matar era muito forte. Eu sou bem velha, comecei em 1964. A maioria tinha um nível de adesão que não era muito grande, mas também não era pequeno. Com o passar do tempo, o Brasil foi se fechando, as coisas foram ficando cada vez mais qualificadas como subversivas. Era subversivo até uma música, uma peça de teatro, qualquer manifestação de rua era subversiva. Eu me lembro muito que discutir reforma universitária subversivíssimo. Coisas absolutamente triviais hoje eram muito subversivas.

FOLHA - Por que vocês foram deslocados para o Rio de Janeiro, por que não São Paulo?
DILMA- Porque nós, a Colina, éramos Minas e Rio. São Paulo tinha ficado com a VPR.

FOLHA - Quando a Polop se fragmentou, um grupo virou VPR e outro Colina lá em 1967?
DILMA- Não, virou duas organizações diferentes. A nossa não tinha nome. A nossa ficou uma organização era O pontinhos.

FOLHA - Quando vira Colina?
DILMA- Todo mundo que era dessa organização, nós sempre ficamos juntos. Houve sempre dentro desse grupo uma visão diferenciada, tinha um pessoal que achava que tinha de ter luta armada e outro que achava que a linha de massa era mais forte. Isso vai permanecer. Tanto é que os que acham que a linha de massa era mais forte viram VAR e ficam sempre VAR. Os que acham que a luta armada era o melhor caminho começam VPR e vão ser VPR depois que a VAR racha. Colina foi um período curto na minha cabeça e eu não me lembro direito se era três meses, dois meses. Até porque a gente não gostava de libertação nacional...

FOLHA - Por quê?
DILMA- Porque eram duas linhas: uma era a revolução socialista e a outra libertação nacional. O povo da revolução socialista era linha de massa e o povo da libertação nacional era luta armada.

FOLHA - Foi uma escolha da senhora o trabalho no setor de mobilização urbana?
DILMA- Qual era a outra alternativa?

FOLHA - Havia o setor de expropriação.
DILMA- Disso eu nunca quis ser. Nós não achávamos isso grande coisa.

FOLHA - Mas, por um momento, foi importante para manter funcionando as organizações, não?
DILMA- A partir de um determinado momento houve uma visão crítica disso, do que a gente chamava militarismo. Na nossa não valorizava muito isso [ações armadas], como as outras [organizações]. É muito difícil falar isso porque as pessoas ficam achando que a gente está limpando a barra. Não me interessa ficar falando nisso, é da época e deu.

FOLHA - Algumas ações ganharam notoriedade, como o cofre do Adhemar. Mas eram dois setores bem distintos como o setor operário e estudantil e outro mais focado nas ações militaristas...
DILMA- Na VAR, a grande maioria esteve na outra [operário e estudantil].

FOLHA - Mesmo no tempo do Lamarca?
DILMA- Foi curtíssimo. Eu não me lembro, eu não fui da direção, desse período eu não sei o que fizeram. Eu sei que havia uma tensão eterna, nunca concordávamos uns com os outros porque pensávamos diferente. E aí bota todo mundo junto, você imagina. Eu não posso dizer o que aconteceu dentro da direção.

FOLHA - No depoimento à polícia, a senhora diz que ficou na casa de uma tia, depois vai para o Hotel Bahia e depois vai para a casa de companheiros... Como era a vida de clandestina no Rio de Janeiro?
DILMA- Não era nada disso. O hotel Bahia é verdade, todo mundo ia para o hotel e ele caiu. A gente estava dizendo uma coisa que já tinha caído. Depois a gente alugava apartamento por temporada.

FOLHA - A senhora chegou a receber Iara Iavelberg em casa?
DILMA- Eu não tinha casa, minha filha. Ela, uma vez, me levou para ficar num apartamento que ela conseguiu e eu não perguntei. A gente não perguntava. Era um apartamento meio vazio, que só tinha cama, uma geladeira e fogão.

FOLHA - Eu li a biografia dela e lá conta que ela levou a senhora no Jambert para cortar o cabelo...
DILMA- Ela levou sim. Ela gostava muito de bons cabeleireiros, ela tinha muito bom gosto.

FOLHA - Mas era meio incompatível com a rotina que vocês tinham, não?
DILMA- A gente andava na rua, entramos num cabeleireiro, cortamos e saímos.

FOLHA - Mas era um salão chiquíssimo, que servia champanhe aos clientes...
DILMA- Pois é minha querida, você entra e sai. Igual a todo mundo.

FOLHA - Não era contra os princípios de vocês? Pelo visto, não...
DILMA- Que princípios, querida? Fui lá, o cara era... não cabe dizer por que nós fomos lá, não vou falar não, santa.

FOLHA - Vocês foram lá cortar no melhor cabeleireiro...
DILMA- Ela tinha amizade lá, cortamos o cabelo e fomos embora.

FOLHA - Beberam champanhe?
DILMA- Não me lembro disso clarinho como foi, não me lembro do lugar que era. Lembro que fui cortar o cabelo com ela e chamava Jambert. E que era um bom cabeleireiro e que ele cortou o cabelo bem bonitinho em mim.

FOLHA - Durou o corte? O grande poder de argumentação dela era esse, que não precisava cortar mais por um bom tempo...
DILMA- A gente ficava sem cortar... olha, eu acho que cai [fui presa] com ele, se eu não me engano. Não, depois eu cortei uma vez. Entrei em outro lugar em São Paulo e cortei. Cortei mais umas duas vezes. Era um bom lugar, mas não é uma coisa relevante na minha vida.

FOLHA - Eu achei curioso. Desculpe-me por perguntar...
DILMA- Pode perguntar. Ela era uma pessoa interessantíssima, uma pessoa sem preconceito e, além de tudo, com uma imensa afetividade.

FOLHA - Ministra, no Rio a senhora acompanhou a fusão e acompanhou o racha. A senhora chegou a ir ao congresso de Teresópolis?
DILMA- Eu cheguei.

FOLHA - E teve essa história do site Ternuma (Terrorismo nunca Mais), dos militares, que o Darcy Rodrigues [que rachou com a VAR] tentou agredir a senhora porque foi contra?
DILMA- Não. Eu era bastante amiga do Darcy. Eles [os militares] reescrevem a história.

FOLHA - Foram mais de 20 dias. Deve ter sido um Congresso extremamente tenso porque ninguém entrava nem saía...
DILMA- Na minha cabeça, eu só lembro que a gente conversava e discutia muito, debatia. Tinha uma infraestrutura complexa porque a gente não saía de lá, não podia aparecer. Bom não era. Mas, naquela época, você achava que estava fazendo tudo pelo bem da humanidade. Nunca se esqueça que a gente achava que estava salvando o mundo de um jeito que só acha aos 19, 20 anos. Sem nenhum ceticismo, com uma grande generosidade. Tudo fica mais fácil. Tudo fica mais justificado, todas as dificuldades. Você não ter roupa não tem problema. Você perdia a roupa toda. Às vezes andava com uma calça xadrez e uma blusa xadrez.

FOLHA - A senhora faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?
DILMA- Não. Por quê? Isso não é ato de confissão, não é religioso. Eu mudei. Não tenho a mesma cabeça que tinha, seria estranho que tivesse a mesma cabeça. Seria até caso patológico. As pessoas mudam na vida, todos nós. Eu não mudei de lado não, isso é um orgulho. Eu mudei de métodos, de visão. Inclusive por causa daquilo eu entendi muito mais coisas.

FOLHA - Como o que?
DILMA- O valor da democracia, por exemplo. Por causa daquilo, eu entendi os processos absolutamente perversos. A tortura é um ato perverso. Tem um componente da tortura que é o que fizeram com aqueles meninos, os arrependidos, que iam para a televisão. Além da tortura, você tira a honra da pessoa. Acho que fizeram muito isso no Brasil. Por isso que, minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode não. Você não sabe o que é a quantidade de secreção que sai de um ser humano quando ele apanha e é torturado. Você não imagina. Porque essa quantidade de líquidos que nós temos, que vai do sangue, a urina e as fezes aparecem na sua forma mais humana. Então, não dá para chamar isso de ditabranda não.

FOLHA - Quando a senhora foi presa, foram apreendidos documentos falsos, um desenho da VAR e foi um bilhete de amor assinado com as iniciais TG. Era do Galeno [Cláudio Galeno Linhares, primeiro ex-marido]?
DILMA- Não, era do Carlos Araújo.

FOLHA - E por que TG?
DILMA- Era um apelido dele.

FOLHA - A senhora tem cópia? Eu tenho uma cópia.
DILMA- Não. Ah, se você quiser mandar, eu agradeço.

FOLHA - A senhora já estava separada do Galeno?
DILMA- Já, eu separei bem antes. Quando eu saí de Minas Gerais, na minha cabeça, eu já estava separada dele.

FOLHA - Vocês noivaram, casaram como prevê a tradição, família e propriedade?
DILMA- Não. Namoramos e casamos na tradição da esquerda da época. Só pode casar no cartório.

FOLHA - E as reuniões eram na avenida João Pinheiro, no Condomínio Solar [em Belo Horizonte]?
DILMA- Eu tinha um apartamento, que na verdade não era meu, era da minha mãe. Quando eu casei, ela me emprestou. Quando eu saí de lá, eles devolveram porque eu nunca mais fui vista.

FOLHA - Vou ler o bilhete...
DILMA- Aonde que está isso, hein?

FOLHA - Está no inquérito arquivado no STM. O bilhete começa assim: "Nega querida, infelizmente não poderei estar ai nos dias combinados por motivos totalmente imprevisíveis. Isto, contudo, não voltará a ocorrer. Verás na prática, prometo-te...
DILMA- Essa quantidade de te, você acha que é de mineiro, pô? Isso é de gaúcho. Tudo no te...

FOLHA - Os militares acreditaram que era do Galeno.
DILMA- É lógico, eles não sabiam. Eu não falei no meu depoimento sobre o Carlos. Ele foi preso em agosto. Eles acreditavam que era Galeno. O Carlos era da direção, então eu não podia abrir a boca. Depois que eles descobriram.

FOLHA - Inclusive, no depoimento da senhora, eles dão outro nome a ele.
DILMA- (Risos) Pedro Pacheco Garcia, essa eu ri muito.

FOLHA - Como foi, durante os dias de Oban, para conseguir proteger a direção. Pelo que vi, alguns nomes não foi possível proteger como a Maria Joana Telles, o Ruaro, o Vicente...
DILMA- Eles sabiam deles porque tinha caído outra pessoa que era da direção. Foi por isso que caí. Eu caí porque caiu uma outra pessoa.

FOLHA - Era com quem a senhora teria um encontro...
DILMA- Era com quem teria um encontro.

FOLHA - Era o José Olavo?
DILMA- Essas coisas eu não quero falar não, viu minha filha? Não quero dar responsabilidade para ninguém não. Estou muito velha para fazer isso.

FOLHA - No depoimento da Justiça, a senhora cita os quatro como tendo caído em consequência direta de sua queda. A senhora dá os quatro nomes?
DILMA- É. Caíram, ponto.

FOLHA - Eu conversei com o hoje coronel, antigo capitão Maurício...
DILMA- Ele existe ainda?

FOLHA - Existe, é um senhor de 74 anos que vive no Guarujá...
DILMA- Ele já não batia bem da bola. Ele continua sem bater?

FOLHA - Eu perguntei se ele votaria na senhora para presidente. Primeiro, disse não. Depois, pediu para retificar dizendo que "depende com quem ela vai concorrer". Ele elogiou a senhora bastante, falando que era uma excelente guerrilheira.
DILMA- Minha querida, pelo amor de Deus.

FOLHA - Só estou reproduzindo o que ele me disse.
DILMA- Eu sei. Sabe o que é, a vida é um pouquinho mais complicada que isso.

FOLHA - Em que sentido, ministra?
DILMA- Em todos. Mas eu respeito o que ele falou, tá?

FOLHA - Ele participava das sessões [de tortura]?
DILMA- Não. Ele era da equipe de busca, nunca participou. Mérito dele isso. Nunca participou não, pelo menos enquanto estive na Oban. Não posso dizer depois.

FOLHA - Ele saía para levar as pessoas...
DILMA- Você tinha aquele negócio de dar ponto para parar de apanhar, e ele levava as pessoas. Ele era da equipe de busca e apreensão. Ele fez a busca em toda minha casa. Ele pegava as coisas e perguntava sobre elas. Ele mostrava, falava que era impossível estar morando ali. Para mim ele, fez várias vezes porque eu disse que estava morando em Santos. Eu disse que morava lá.

FOLHA - No depoimento à Justiça, a senhora cita ele como responsável pelas sessões de torturas.
DILMA- Lembro perfeitamente que ele entrava na sala, mas que ele torturava nunca vi pessoalmente. A mim não foi. Agora que ele entrava na sala e via tortura, tenho certeza. Qualquer um entrava naquela sala. Te torturavam com a porta aberta, minha filha.

FOLHA - Ele disse que a história da senhora era muito furada. Vocês tinham que criar uma história, não é?
DILMA- É minha filha, de preferência. Porque, sem história, você não sobrevive não.

FOLHA - Qual foi a da senhora?
DILMA- Ah, não me lembro não. Não tenho a menor ideia da quantidade de coisas que falei.

FOLHA - Não podia cair em contradição...
DILMA- Não tem muita dificuldade. Você cria um quadrado e fica dentro dele.

FOLHA - Li uma entrevista em que a senhora diz que fez treinamento no exterior. Mas não consegui encontrar o período que isso pode ter acontecido. Deu tempo de sair do Brasil para treinar?
DILMA- Eu acho engraçadíssimo porque quando me perguntaram isso, eu neguei que tivesse feito. Não acredita e fala que eu falei que fiz.

FOLHA - Não deu tempo de jeito nenhum, não é?
DILMA- Então, minha filha, esclarece. Eu não falo isso mais. É que nem aquela lista que sai aí dizendo que eu fiz dez assaltos armados.

FOLHA - Inclusive atribuindo ações de outras organizações...
DILMA- Eu nunca fiz uma ação armada e se tivesse ação armada eu estaria condenada por isso. É mesma coisa essa história do treinamento. Eu nunca fiz, então, tudo bem. Eu não fiz nem treinamento no exterior nem ação armada. É só perguntar para as pessoas.

FOLHA - Já perguntei...
DILMA- Elas sabem disso. Agora, minha santa, a lista você vai olhar...

FOLHA - Já olhei, há muitas ações em São Paulo [no período em que a senhora não estava lá]...
DILMA- Eu acho chatíssimo ficar negando.

FOLHA - Incomoda a senhora atribuir essas ações a seu nome?
DILMA- Sempre que falam uma coisa que você não fez ou atribuem coisas que você não fez, incomoda. É chato. Não sou supermulher para dizer que não me incomoda. Agora não perco a cabeça por isso, só acho um absurdo. Estão mentindo, têm uma segunda intenção. Tem coisas nesse período que eu não discuto porque, para discutir, precisa de outro tipo de enfoque. Não dá para discutir com superficialidade. Não posso discutir o que aconteceu com meus companheiros nem atribuir a eles coisas, porque implicaria que eu estivesse fazendo algo como se fosse uma avaliação crítica e me colocando de fora.

FOLHA - Não teve treinamento no exterior, mas o básico todo mundo sabia como montar e desmontar uma arma. Era questão de segurança do dia a dia?
DILMA- Tinha gente que achava isso o máximo, tinha gente que não achava. Eu vou te dizer, sempre fui muito dedicada mas não achava isso grande coisa. Rigorosamente falando, nunca fiquei avaliando, naquele momento, se devia fazer isso ou aquilo. Seria irreal se eu te falasse isso. Nunca pensei, devo fazer isso ou devo fazer aquilo? Não se colocava assim para nós. Falavam assim: "vai ali e aprende a desmontar e desmontar a arma". Você ia e aprendia. "Vai ali e escreve um documento". Você também ia.

FOLHA - Na casa do [capitão Carlos] Lamarca foi encontrado um documento com uma lista de pessoas que deviam se dar prioridade em caso de troca com sequestrados. O nome da senhora estava lá, mas a senhora cumpriu a pena no Tiradentes e nunca foi trocada. Por que?
DILMA- Não tenho a menor ideia, nem sabia disso.

FOLHA - Como era o dia-a-dia da prisão? Algumas companheiras de cela dizem que a senhora dava aula de macroeconomia, mas não gostava muito dos trabalhos manuais de tricô e crochê...
DILMA- Aprendi bem. Sei fazer tricô e crochê.

FOLHA - Ainda faz?
DILMA- Olha, você sabe que eu faço tapete? Mas não aprendi tapete lá não. Mas eu fazia muito bem crochê. Podem falar que eu não fazia... (risos)

FOLHA - Falavam que não gostava muito...
DILMA- No fim, eu gostava de fazer crochê.

FOLHA - E as aulas de macroeconomia? Falavam que a senhora tinha 22 anos, mas dava aula como se fosse uma experiente economista.
DILMA- Estão fantasiando, estão fantasiando...

FOLHA - São suas amigas, o que eu posso fazer?
DILMA- Mas elas estão fantasiando.

FOLHA - Como era o dia-a-dia na prisão? O que fazia para passar o tempo, muita leitura?
DILMA- Agente lia muito, escutava muita música, conversava muito, jogava vôlei.

FOLHA - Dava para ter algum controle sobre o que a organização estava fazendo do lado de fora?
DILMA- Não, nenhum. Eu, pelo menos, nunca tive. Se falarem, estão mentindo. Mesmo através das famílias, era um risco muito grande. Não acredito não. Era muito difícil. Era um nível de controle muito alto. Eles iam lá e olhavam livros dentro do presídio, acho até que foi com capitão Maurício.

FOLHA - O Gilberto Vasconcelos [militante da VAR] contou que, às vezes, buscavam um preso para torturar porque estavam de plantão na madrugada e não tinham o que fazer...
DILMA- Isso tinha muito mesmo. Tinha me esquecido disso. Eu gosto muito dele, do Gilberto.

FOLHA - Ele me disse que não consegue ver um filme ou ler um livro sobre o tema ditadura...
DILMA- Nenhum de nós gosta de ver, verdade seja dita. Eu evito cenas de tortura, essas coisas todas.

FOLHA - Dando uma olhada nos documentos que estão no arquivo, em 1979, quando a senhora já tinha cumprido pena e se formado em economia, a Marinha continuava investigando a vida da senhora e do Carlos Araújo. Eles monitoram um viagem a São Paulo. A senhora tinha consciência que continuava na mira da polícia mesmo depois da prisão?
DILMA- Tinha. Eu não podia fazer aniversário que ficavam todos pendurados nas árvores, olhando. Um dia, saí lá fora [no quintal da casa em Porto Alegre], e vi três pessoas em cima da árvore. Eu até perguntei: quem está em cima da árvore? Eu sabia que era da polícia.

FOLHA - Como era viver sendo observada?
DILMA- Eu tinha uma vida absolutamente legal.

FOLHA - Na prisão, como a senhora se encontrava com o Max? Ou não encontrava, era por bilhete?
DILMA- Às vezes tinha visita do lado de lá. Duas vezes eu encontrei com ele só, nos quatro anos. Em São Paulo a barra era pesada, minha filha. Não era leve não.

FOLHA - Quando tem o racha, quem assume o comando da nova VAR?
DILMA- Quando tem o racha? Eu não me lembro. Se o Espinosa está dizendo que eu estava... Eu lembro que eu fui em outubro para São Paulo e nunca mais voltei [ao Rio].

FOLHA - A senhora foi assumir o comando urbano de São Paulo?
DILMA- Eu fiquei lá junto com todo mundo que dirigia a VAR na época. Eu só me lembro do José Olavo e de mais um. Não me lembro dos outros, tinha mais. Tinha quatro.

FOLHA - Provavelmente o Antônio Perosa, o Fernando Mesquita...
DILMA- Não me lembro do Perosa lá nessa época.

FOLHA - Muita gente dizia que a senhora era a responsável pelo dinheiro da organização. A senhora era o caixa de São Paulo, para manter militantes, aparelhos?
DILMA- Também não me lembro disso não, que eu era do dinheiro. Se eu fosse do dinheiro, eles tinham me matado a pau. Tudo o que eles queriam era o dinheiro. Não lembro isso não.

*FOLHA - No perfil que o delegado traça a senhora, ele fala que movimentava grandes quantias de dinheiro. E tem vários depoimentos dizendo que a senhora dava dinheiro para a sobrevivência do setor operário, o setor de imprensa.
DILMA- Não me lembro de ter caído com um tostão.

FOLHA - Dinheiro não há registro.
DILMA- Estou te dizendo, se eu tivesse dinheiro ia ser um festival. Eu fui presa com um carro.

FOLHA - Um fusquinha, não é?
DILMA- É, que não sei aonde foi parar.

FOLHA - Esse fusquinha era da senhora, ministra?
DILMA- Não, era da organização.

FOLHA - A senhora dirige?
DILMA- Naquela época não dirigia, hoje eu dirijo.

FOLHA - Está dito que a senhora escalou alguém para ser o motorista daquele carro.
DILMA- Era eu e uma outra pessoa que morávamos juntas, era uma outra moça. Nós andávamos no carro.

FOLHA - O delegado ficou bem impressionado com a senhora, depois do interrogatório. A ponto de definir a senhora como uma pessoa com dotação intelectual apreciável, entre aspas.
DILMA- Tinha um juiz auditor louco (risos). Ele fez uma denúncia dizendo que eu era a Joana D'arc do terror.(Gargalhada) Era ridículo. Ele era dado a essas...

FOLHA - Foi o promotor militar.
DILMA- Não foi o pobrezinho do juiz, que a gente falava mal dele até?

FOLHA - Não, o juiz só usou o que o procurador escreveu. Ele reproduziu...
DILMA- Eram os relatórios que vocês nunca vão ver nem eu, os relatórios que eles fizeram que vinha da Oban. Devem ser esquisitíssimos esses relatórios, o que não era legal. Esses não apareciam, entendeu?

FOLHA - Outra coisa que a gente nunca vai achar são os depoimentos escritos à mão...
DILMA- Você pega o depoimento seu, é ele. É quase igual, porque é onde você fazia a história, entendeu? Por que ela fácil você contar uma história? Porque você fazia um depoimento à mão, minha filha. Faz uma coisa à mão e vê se não se lembra dela direitinho. Eu, se fosse eles, não deixava fazer depoimento à mão. Você montava a história na cabeça.

FOLHA - É muito divertido o perfil que o delegado traça.
DILMA- Quem é o delegado?

FOLHA - Newton Fernandes, do Dops.
DILMA- Essa parte não era pública, essa parte do delegado. Você conseguiu um documento único.

FOLHA - O delegado ficou empolgado. O que a senhora disse para ele achar que era inteligente demais?
DILMA- Não sei, deve ter sido esse negócio que vinha da Oban. A Oban classificava a gente pelo nível de perigo. O major Linguinha [Waldir Coelho] só falava quem achava que era direção. Ele falava comigo sempre. Ele só interrogava quem era direção.

FOLHA - Vou ler para a senhora: "Esposa de Cláudio Galeno Magalhães Linhares (autor do sequestro do avião para Cuba, onde se encontra). Pertenceu ao comando nacional da Colina, coordenadora dos setores operário e estudantil da VAR-Palamares em São Paulo, como também do setor de operações. Manipulava grandes quantias para a VAR-Palmares. É antiga militante de esquemas subversivo terrorista. Através de seu interrogatório, verifica-se ser uma das molas mestras e um dos cérebros dos esquemas revolucionários postos em prática pela esquerda radical. Trata-se de pessoa com dotação intelectual apreciável". Essa é você...
DILMA- Interessante... Da onde ele tirou isso, né? Nem me lembro dele. A gente não dava importância para o delegado do Dops, só para a Oban. Deve ter vindo da Oban. Eu sou presa da Oban.

FOLHA - A senhora não pegou o delegado Sérgio Fleury no Dops?
DILMA- Quando entrei no Dops, o Fleury não estava no Dops, estava em viagem. Pelo menos é isso que eu lembro. Passei quase um mês na Oban e um mês no Dops. Eu custei ir embora da Oban.

FOLHA - Do dia da prisão até o depoimento na polícia, são 40 dias.
DILMA- Então fiquei 40 dias. Porque você começa a fazer no Dops uma coisa que chamava cartório. Eu lembro que era muito tempo, eu achava estranho eu não ir embora. Todo mundo ia, e eu ficava. Eu não lembro a data. Vai ficando muito obscuro, como foi como é que não foi.

FOLHA - Vocês passavam por um treinamento intensivo para deletar as coisas. Tinha que esquecer para não contar?
DILMA- Tinha, uma parte você tentava esquecer. Sabe que teve uma época que eu falei uma coisa que eu achava que era verdade e não era. Sobre um fato que aconteceu. Era mentira que eu tinha contado e ai depois eu descobri que era mentira. Você conta e se convence. Tinha hora que era muito difícil você manter.

FOLHA - Informação obtida sob tortura é de responsabilidade de quem tortura e não de quem fala? Dá para culpar a pessoa que falou?
DILMA- Não dá mesmo. Até porque ali, naquela hora, tinha uma coisa muito engraçada que eu vi. Aconteceu com muita gente, não foi só comigo. É por isso que aquela pergunta é absurda do senador [Agripino Maia, do DEM]. A mentira é uma imensa vitória e a verdade é a derrota. Na chegada do presídio [Tiradentes] estava escrito "Feliz do povo que não tem heróis", que era uma frase do Brecht que tem um sentido amplo. Esse fato de não precisar de heróis mostra uma grande civilidade. O povo que precisa de heróis precisa de heróis anônimos. Precisa que cada um tenha um pouco de heroísmo.

FOLHA - Quando a senhora chegou à Oban, houve muitos gritos, palavrões?
DILMA- Teve. Fazia parte do script. É uma luta eterna entre a sua autodestruição e sua luta para ficar inteiro psicologicamente. De fato é uma disputa moral.

FOLHA - É um jogo a relação torturador/torturado?
DILMA- Não. A palavra correta é uma disputa moral no sentido amplo da palavra moral. É uma disputa entre éticas diferentes, entre princípios diferentes. Uma pessoa que se dispõe a fazer a outra ter dor tem um processo de difícil identificação. Eu fico imaginando o que deve ter sido foi Abu Ghraib, porque bota de um lado americanos e de outro lado um outro mundo. E se fala que é pior. Eles também faziam isso conosco. Você tem de ser desqualificado como ser humano para ser torturado, santa, senão você não é.

FOLHA - E a família da senhora, como reagiu a isso tudo?
DILMA- Minha mãe reagiu muito bem.

FOLHA - Ela ainda é viva?
DILMA- Ela é e não vai falar não. Nem ela nem meu irmão. A minha família não fala sobre isso.

FOLHA - Eles visitavam a senhora?
DILMA- Sistematicamente. Minha mãe foi absolutamente fantástica. Eles tinham horror de mãe. Agora vou desligar porque o Lobão [ministro Edson Lobão, de Minas e Energia] me espera.

FOLHA - Só para deixar claro, a senhora não se recorda desse plano para sequestrar o ministro Delfim Netto?
DILMA- Não. Eu acho que o doutor Espinosa fantasiou essa.

FOLHA - Será?
DILMA- Sei lá o que ele fez, eu não me lembro disso. E acho que não compadece com a época, entendeu? Nós acabamos de rachar com um grupo, houve um racha contra ação armada e vai sequestrar o Delfim? Tem dó de mim. Alguém da VAR que você entrevistou lembrava-se disso?

FOLHA - O Juarez [Brito] ainda na Colina tinha pensado em...
DILMA- Ah, santa, então isso é coisa dele.

FOLHA - Ele não conseguiu executar e o Espinosa disse que, depois do racha, continuaram com o plano. O levantamento estava todo pronto, havia o mapa e eles iriam fazer [o sequestro] num fim de semana de dezembro de 1969. Seria num sítio no interior de São Paulo...
DILMA- Então isso é por conta do Espinosa, santa. Ao meu conhecimento jamais chegou.

FOLHA - Ele disse que comunicou à direção da VAR. Eram cinco integrantes, entre eles a senhora e que a direção deu o aval para continuar o plano, apesar de não saber detalhes.
DILMA- Eu não me lembro disso, minha filha. E duvido que alguém lembre. Não acredito que tenha existido isso, dessa forma.

FOLHA - Ele fala que a responsabilidade de fazer a ação era dele, mas que a direção sabia, foi informada e autorizou.
DILMA- Isso está no grande grupo de todas as ações que me atribuem. Antes era o negócio do cofre do Adhemar, agora parou isso e vem o Delfim. Ah, tem dó minha filha. Você sabe que tem isso. Todos os dias arranjam uma ação para mim. Agora é o sequestro do Delfim? Ele vai morrer de rir.

FOLHA - Delfim Netto disse que não tinha medo não. Às vezes o mandavam tomar mais cuidado, um pouco de cautela, mas que ele nunca levou muito a sério esses conselhos.
DILMA- Tá certo.

FOLHA - De qualquer forma, muito obrigada por tocar nesse assunto delicado...
DILMA- Eu estou te fazendo uma negativa peremptória, para mim não disseram. Tá?

Folha de São Paulo
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sexta-feira, 3 de abril de 2009

HOMENAGENS DA MAÇONARIA ÀS FORÇAS ARMADAS

CONTINUAÇÃO...

1. Hoje é um dia especial para todos nós, homens livres e de bons costumes, que sempre tem participado dos eventos que traçam o destino da Nação.

2. Para nós, este é o momento histórico que será relembrado com júbilo no amanhã de nossa Pátria e as gerações que nos seguirem aplaudirão, sem dúvida, o nosso exemplo de civismo.

3. O Grande Oriente do Distrito Federal, que orgulhosamente representamos pela vontade democrática do seu quadro, tem, neste obreiro que vos fala na qualidade de Grão Mestre, e em seu Adjunto, o valoroso irmão e amigo Lucas Galdeano, a certeza da rigorosa vigilância guardiã das instituições mantenedoras da soberania nacional.

4. Desde a nossa investidura adotamos a prática de uma política diferenciada destinada a ocupar de fato e de direito todos os espaços dentro da nossa sociedade para realçar a Ética, a Moral e a Dignidade que a coletividade clama neste momento.

5. Foi, portanto, com este objetivo que decidimos homenagear aqueles que desfrutaram no passado, desfrutam no presente e, com certeza, desfrutarão no futuro a mais absoluta confiança dos Maçons deste Brasil aguerrido e querido de todos nós.

6. A Marinha, o Exército e a Aeronáutica, tem um papel extraordinário no contexto da segurança nacional e a sua participação nas ocasiões decisivas da nossa história, atendendo aos anseios populares, comprova o valor de sua intervenção na manutenção da ordem e da democracia em nossa Nação.

7. É chegada a hora de agregarmos ao bojo histórico das nossas Forças Armadas a volta do civismo e do orgulho pátrio, para o bem-estar de todos nós brasileiros, responsáveis pela construção do Brasil do amanhã, para que no futuro nossos sucessores não nos acusem de omissos.

8. Cabe a cada um de nós a responsabilidade de zelar pela ordem e pela paz social para deixar esse legado como herança às nossas famílias, mas ninguém, neste momento, tem melhores condições de executar essa missão do que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, pela credibilidade que ostentam na sociedade civil.

9. É bom lembrar que em pesquisa realizada recentemente, as nossas Forças Armadas alcançaram 84% de aprovação popular.

10. Esta, portanto, é a melhor ocasião de darmos o nosso apoio irrestrito e incondicional aos militares para que eles sintam que não estão sozinhos na sua meta de preservação do bem-estar social.

11. A Maçonaria, que sempre esteve, está e estará atenta aos momentos culminantes da nossa Pátria, vem a público externar a sua aliança de solidariedade à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica, detentores da integral responsabilidade cívica perante a nação brasileira.

12. Ressalte-se, para isso, que somos políticos, mas não somos partidários, e que a Maçonaria tem atualmente nove Senadores, cinquenta e nove Deputados Federais, seis governadores e uma legião de Deputados Estaduais, Prefeitos e Vereadores prontos para partirem com objetividade em busca do soerguimento Justo e Perfeito de nossa sociedade disciplinada e pacífica.

13. Irmanados, os Filhos da Viúva, como assim somos chamados, vêm a público se solidarizar e homenagear as Forças Armadas do nosso querido e glorioso Brasil.

14. Avante, Filhos da Viúva, é chegada a hora da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade.

Jafé Torres
Grão-Mestre

Esse discurso foi enviado gentilmente pelo Pedro, leitor e colaborador desse blog- Por e-mail

terça-feira, 31 de março de 2009

HOMENAGEM DA MAÇONARIA ÀS FORÇAS ARMADAS









































NOSSOS AGRADECIMENTOS AO PEDRO QUE ESTEVE PRESENTE E GENTILMENTE NOS ENVIOU AS FOTOS.

segunda-feira, 30 de março de 2009

UM SEDER PARA OS NOSSOS DIAS

moacy Scliar

Esta mesa em torno à qual nos reunimos, esta mesa com as matzót e com as ervas amargas, esta mesa de Pessach com sua toalha imaculada, esta mesa não é uma mesa: é mágica embarcação com a qual navegamos pelas brumas do passado, em busca das memórias de nosso povo.

A esta mesa sentemo-nos, pois.

Somos muitos, nesta noite.

Somos os que estão e os que já foram: somos os pais e os filhos, e somos também os nossos antepassados. Somos um povo inteiro, em torno a esta mesa. Aqui estamos, para celebrar, aqui estamos para dar testemunho.

Dar testemunho é a missão maior do judaísmo. Dar testemunho é distinguir entre a luz e as trevas, entre o justo e o injusto. É relembrar os tempos que passaram para que deles se extraia o presente a sua lição.

Olhemos, pois, a matzá que está sobre a mesa.

Este é o pão da pobreza que comeram os nossos antepassados na terra do Egito. Quem tiver fome – e muitos são os que têm fome, neste mundo em que vivemos – que venha e coma. Quem estiver necessitado – e muitos são os que amargam necessidades, neste mundo em que vivemos – que venha e celebre conosco o Pessach.

É o legado ético de nosso povo, a mensagem contida neste simples alimento, neste pão ázimo que o sustentou no deserto, e o que o vem sustentando ao longo das gerações. É preciso ser justo e solidário, é preciso amparar o fraco e ajudar o desvalido.

O deserto que hoje temos de atravessar não é uma extensão de areia estéril, calcinada pelo sol implacável. É o deserto da desconfiança, da hostilidade, da alienação de seres humanos. Para esta travessia temos de nos munir das reservas morais que o judaísmo acumulou, das poucas e simples verdades que constituem a sabedoria do povo. Ama teu próximo como a ti mesmo. Reparte com ele teu pão. Convida-o para tua mesa. Ajuda-o a atravessar o deserto de sua existência.

Tu me perguntas, meu filho, porque é diferente esta noite de todas as noites. Porque todas as noites comemos chametz e matzá, e esta noite somente matzá. Porque todas as noites comemos verduras diversas, e esta noite somente maror.

Porque molhamos os alimentos duas vezes.

Porque comemos reclinados.

Eu te agradeço, meu filho. Agradeço-te por perguntares. Porque, se me perguntas, não posso esquecer: se indagas, não posso ficar calado. Por tua voz inocente, meu filho, fala a nossa consciência. Tua voz me conduz à verdade.

Por que esta noite é diferente de todas as noites, meu filho?

Porque esta noite lembramos.

Lembramos os que foram escravos no Egito, aqueles sobre cujo dorso estalava o látego do Faraó.

Lembramos a fome, o cansaço, o suor, o sangue, as lágrimas.

Lembramos o desamparo dos oprimidos diante da arrogância dos poderosos.

Lembramos com alívio: é o passado.

Lembramos com tristeza: é o presente.

Ainda existem Faraós. Ainda existem escravos.

Os Faraós modernos já não constroem pirâmides, mas sim estruturas de poder e impérios financeiros. Os Faraós modernos já não usam apenas o látego: submetem corações e mentes mediante técnicas sofisticadas.

Seus escravos se contam aos milhões, neste mundo em que vivemos. São os negros privados de seus direitos, na África do Sul; os poetas que, em Cuba, não podem publicar seus versos; os imigrantes a quem, na Europa, está reservado o trabalho pesado e a hostilidade dos grupos fascistas; os refuseniks soviéticos que clamam por sua identidade; as mulheres e os jovens fanatizados pelo regime do Aiatolá, os prisioneiros políticos do Chile, os famélicos do Sahel e do nordeste brasileiro, as populações indígenas lentamente exterminadas em tantos lugares; os operários explorados e os camponeses sem terra.

Para estes, ainda não chegou o dia da travessia.

Estes ainda não encontraram a sua Terra Prometida.

Para eles, a vida ainda é amarga como o maror.

É a eles também que lembramos nesta noite, meu filho. Com eles repartirmos, em imaginação, o nosso pedaço de matzá.

Não sejas como o ingênuo, que ignora os dramas de seu mundo.

Não sejas como o perverso, que os conhece, mas nada faz para mudar a situação.

Pergunta, meu filho, pergunta tudo o que queres saber – a dúvida é o caminho para o conhecimento.

Mas quando te tornares sábio, procura usar a tua sabedoria em benefício dos outros. Reparte-a, como hoje repartirmos nossa matzá. Segue o conselho de nossos sábios, e lembra a saída do Egito, não só na noite de Pessach, mas todos os dias de tua vida.

Falemos deste povo, então. Falemos dos judeus: pequeno grupo humano que viria a desempenhar um grande papel na história da humanidade.

Um povo inquieto. Um povo que não buscava o repouso, nem para si, nem para os outros povos.

Há cerca de 4000 anos a trajetória deste povo teve início - quando Abraão deixou o seu lugar de origem, na região entre o Tigre e o Eufrates, para ir a Canaan. Pois disse-lhe o Senhor:

"Sai de tua terra, e da terra de tua gente, e da casa de teu pai, e vem para a terra que eu te mostrarei;

Eu farei de ti uma grande nação, e te abençoarei, e farei grande teu nome;e serás uma benção;

E eu abençoarei quem te abençoar, e amaldiçoarei quem te amaldiçoar; e em ti serão todos os povos da terra abençoados." (Gênesis 12, 1-3)

Mas não cessou com a chegada a Canaã e peregrinação judaica. Povo nômade, os hebreus deslocavam-se constantemente. E por isso não construíram grandes cidades, nem monumentos comparáveis às pirâmides. O que os hebreus levavam consigo, em suas migrações, era a sua tradição, era a palavra do Senhor, da qual eram guardiães; a palavra que deu origem ao livro sagrado, a Bíblia, seu grande legado para a humanidade.

De Abraão nasceu Isaac, de Isaac Jacob, e de Jacob, José e seus irmãos.

José, o vidente; José, que se tornou vizir do Faraó. Com José foram ter seus ingratos irmãos, quando a fome assaltou as terras de Canaã. Na terra de Goshen foram viver, e ali se multiplicaram como as estrelas no céu e os grãos de areia das praias do mar.

Mas então nuvens negras surgem neste céu tranqüilo.

Um novo Faraó reina no Egito; ele teme que os filhos de Israel, agora numerosos, se rebelem contra ele. E decreta: toda criança judia, de sexo masculino, deve ser morta ao nascer.

Mas um menino escapa. O destino poupa-o para ser o libertador de seu povo: é Moisés, que a filha do Faraó salva das águas para dele fazer um príncipe.

Moisés, Príncipe do Egito, Moisés, poderoso entre os poderosos.

Há um instante na vida de cada homem em que ele se vê diante de seu destino. Um instante em que lhe é dado fazer a escolha transcendente, a escolha que será o divisor de águas de sua existência.

Este instante chegou para Moisés. Diante do feitor que espancava cruelmente o escravo judeu, ele não hesitou: tomou o lado do fraco contra o forte, do oprimido contra o opressor. Jogou sua sorte com a sorte pobre, desprotegido povo.

E então que Deus lhe fala.

Não antes do gesto de coragem, mas depois: é como se a divindade só se pudesse revelar depois que Moisés descobriu a si mesmo. Este é o deus de Abraão, o Deus de Isaac, o deus de Jacob; o Deus que fala da sarça ardente, como a indicar que é preciso manter viva a chama da fé e da dignidade. Este Deus estende Sua mão para Moisés, e acena-lhe com a promessa que desde então tem animado a todos os povos: terra e liberdade, liberdade e terra. A doce liberdade, a fértil terra da qual fluiria o leite e o mel.

E então, acompanhado de Araão, que por ele falava, Moisés foi ter com o Faraó e disse: Deixa meu povo sair.

Deixa meu povo sair. Era a primeira vez que ecoava esta frase no reduto do poder, mas não seria a última.

Nas masmorras dos romanos: deixa meu povo sair.

Nos guetos medievais: deixa meu povo sair.

Nas aldeias ameaçadas pelos pogroms: deixa meu povo sair.

Na Alemanha nazista: deixa meu povo sair.

Na Rússia, na Síria, na Etiópia: deixa meu povo sair.

Este apelo desesperado não encontra eco.

A insensibilidade dos poderosos torna-os surdos e cegos.

O sofrimento dos oprimidos clama aos céus.

E os céus respondem com fúria. Mas a divindade poupa a seu povo o ódio. Minha é a vingança, diz o Senhor. Só Deus pode dosar o castigo do ímpio, de maneira a não pagar injustiça com injustiça. São as forças da natureza que Adonai mobiliza para punir os pecadores; como a sugerir que a própria natureza se revolta contra a iniquidade.

E vêm as pragas.

As águas se transformam em sangue. Feras atacam os homens. Gafanhotos devoram as colheitas. Pestilências ceifam vidas. O granizo cai sobre as plantações. As trevas reinam sobre a Terra. Castigos terríveis, mas que nos soam estranhamente familiares.

Pois hoje, como ontem, seres humanos fazem da natureza palco de luta contra outros seres humanos.

A casa do homem é uma casa dividida. Punhos se erguem ameaçadores, vozes bradam iradas. A ganância e a especulação sobrepujam a solidariedade e a compensação.

E de novo as pragas nos ameaçam.

As águas já não se transformam em sangue, mas nos rios poluídos e nos mares envenenados os peixes bóiam mortos.

As pragas que devoravam as colheitas foram repelidas, mas ficam nos frutos da terra os resíduos dos venenos usados. Indiscriminadamente.

As feras que os homens temiam hoje são pobres criaturas em extinção. Mas o tigre com dentes atômicos faz ouvir o seu rugido, os submarinos nucleares percorrem os mares como sinistros Leviatãs.

Enquanto enormes contingentes humanos vegetam na mais espantosa miséria, há nas metrópoles uma minoria que busca no consumismo desenfreado, no álcool e na droga, a satisfação que jamais encontra.

As trevas reinam sobre a Terra, mas não são as trevas resultantes de um sol eclipsado; são, isto sim, as trevas do obscurantismo, que alimenta o fanatismo e arma o braço do terrorista.

As pestilências de outrora deram lugar às doenças da civilização, igualmente mortíferas; e de outra parte, se perpetuam entre aqueles que não têm acesso às conquistas da medicina.

Dir-se-ia que os homens não aprendem. Que a escalada do erro – e do castigo – não tem fim.

A paciência do Senhor chega a seu término. Decide dar ao faraó a prova definitiva de Seu poder: os primogênitos serão exterminados. Mas pelas portas das casas judaicas, untadas com o sangue do animal sacrificado, a ira do Senhor passará sem se deter. É a Páscoa: a passagem.

Mais uma vez Deus avoca a si o castigo. Pois somente a um desígnio insondável tão espantosa punição pode ser atribuída. E o Faraó cede. Por fim, o Faraó cede. Podeis partir, ele diz a Moisés e Araão. E os judeus partem. Às pressas: o pão que levam sequer pode fermentar. É da matzá que eles agora comerão.

E há razão para a pressa. Os poderosos não costumam honrar compromissos. Promessas são esquecidas, tratados são rasgados. E os exércitos do Faraó vão no encalço dos fugitivos, surpreendem-nos às margens do Mar Vermelho.

Mais uma vez Deus protege seu povo. Mais uma vez um prodígio da natureza dá testemunho da aliança sagrada. As águas do mar se abrem diante dos hebreus e se fecham sobre as armadas do Faraó. É o castigo definitivo. É um castigo, mas não é um ato de ódio. Pois, conta o Talmud, depois que os judeus atravessaram o Mar Vermelho, entoaram um hino de agradecimento ao senhor – que Ele recusou dizendo: "Não cantareis enquanto meus outros filhos se afogam". A violência? Sim, é permitida, como resposta à violência. Mas não é permitido a ninguém alegrar-se na violência. Ao fim e ao cabo, somos todos irmãos. Mesmo quando um destino trágico nos coloca face a face, armas na mão. Uma lição que vale para o Oriente Médio de nossos dias.

Esta é a narrativa do Êxodo. Dela, o que é lenda? O que é História?

Impossível saber. Na poeira do tempo confunde-se fantasia e realidade, fato e imaginação.

Não importa, porém. Não é o fato histórico que conta, mas sim a lição que dele se extrai. Como diz o Seder: "Em toda geração deve o homem considerar como se tivesse saído do Egito". Neste, como está sintetizada toda a gama de possibilidades que a tradição, mais que o frio relato dos acontecimentos, proporciona aos seres humanos.

A possibilidade de evocarmos, por uma noite que seja, o terror da escravidão.

A possibilidade de vivermos, por uma noite que seja, a glória da libertação.

Como se é suficiente. Uma noite é suficiente.

Foi numa noite que Jacob lutou contra o anjo, e, vencendo-o, tornou-se Israel, legando-nos esta lição: que um povo tem de lutar por sua identidade, ainda que desafiando os mensageiros do Senhor.

Foi numa noite que Daniel foi salvo da cova dos leões, mostrando que o justo nada tem a temer, nem mesmo as feras selvagens.

Foi numa noite que o perverso Haman foi condenado e o povo judeu foi salvo.

Porque a justiça brilha na escuridão da noite como a luz do dia.

Sentemo-nos, pois, em torno à mesa nesta noite, e tomemos o vinho de Pessach, doce como a liberdade. E falemos da doçura de ser livres; falemos principalmente aos jovens. Sigamos o que diz o nosso Seder: "contarás a teu filho".

Porque a mensagem de Pessach é dirigida sobretudo às crianças e aos jovens. Como sentinelas na noite, temos de velar por eles, velar para que recebam a mensagem de liberdade.

Pessach é a festa das gerações. É a festa em que os pais falam a seus filhos.

E é por isso que a festa do Pessach é celebrada em família. Não num templo, mas em casa. Em torno a uma mesa, de modo que as pessoas se possam olhar, de modo que o filho possa ouvir do pai o simples, eloqüente relato.

A saga de um pequeno povo de incultos nômades que ensinou a um poderoso império uma lição de justiça e de dignidade.

Esta é a lição que os judeus vem repetindo ao longo de muitos e muitos séculos.

Nos dias esplendorosos do Templo de Jerusalém e nos amargos tempos da dispersão. No Galut e agora, em Israel. Os prodígios da saída do Egito ficaram reverberando pelos séculos afora. Pois tantos foram, e tão notáveis, que evocá-los leva-nos ao limite do suportável: daienu, diz o Seder: bastar-nos-ia.

Se nos tirasse do Egito e não os justificasse, bastar-nos-ia.

Se não abrisse o mar, se não nos desse o maná, se não nos desse o Sábado, se não nos desse a Torá - bastar-nos-ia.

O primeiro agradecimento ao Senhor é pela liberdade: se nos tirasse do Egito, bastar-nos-ia.

Todo o resto é conseqüência. O maná, a Lei, a Terra prometida, tudo é decorrência da libertação do povo. Falemos da luta pela liberdade. Falemos do gueto de Varsóvia. No começo da Segunda Guerra, Varsóvia era um centro judaico de primeira grandeza, célebre por suas ieshivot, seu teatro ídiche, seus centros culturais, seus artistas e escritores.

Mas então veio a invasão nazista, e com ela a fria deliberação de transformar a cidade num portal para o inferno. Quase meio milhão de pessoas foram confinadas na minúscula área do gueto, cercado e isolado. Logo a fome, a falta de higiene, as doenças começaram a fazer suas vítimas. A um ritmo que não era satisfatório para os nazis: em julho de 1942 começaram as deportações – para os campos de Treblinka, Auschwitz, Maidanek e Belsen.

Foi então que as organizações juvenis adotaram uma decisão: a de resistir até o fim. Armas e munição omeçaram a ser contrabandeadas para o gueto...

Na madrugada de 19 de abril de 1943 um tiro ecoou na rua Nalewki. Era o sinal para a rebelião, que oporia 40.000 remanescentes da população judaica, lutadores famintos e mal armados, contra a poderosa máquina de guerra nazista. Durante semanas os combatentes resistiram. O comandante do levante, Mordechai Anielewicz e seus companheiros, morreram lutando no quartel-general da Rua Mila, 18. Ninguém se rendeu.

Não podemos falar em liberdade sem falar no Gueto de Varsóvia. Não podemos falar em liberdade enquanto outros guetos existirem em nosso mundo.

Agora, meu filho, vamos colocar vinho neste copo, e vamos abrir a porta.

Perguntas se estamos esperando alguém.

Sim, esperamos alguém. Esperamos Eliahu Hanavi, o Profeta Elias, o precursor do Messias. É um hóspede ilustre, aguardado há ‘séculos. Até hoje não veio, e não é certo que nos visite esta noite. Não tem importância. O importante é que nossa porta esteja aberta. Para o profeta ou para o nosso vizinho; para o Messias ou para o pobre que nos vem pedir um pouco de comida. Que espiem, os de fora, por estar a porta aberta. Que vejam uma família reunida em torno à mesa, celebrando. Que constatem: eles nada têm a esconder. Eles não praticam rituais secretos, eles não são uma seita misteriosa. São gente como a gente. Os cristãos, os judeus, os muçulmanos, os budistas, somos todos iguais. Nossas festas têm nomes diferentes, ocorrem em datas diferentes, mas no fundo, une-nos a alegria da celebração.

Eu sei, meu filho, que nem todos pensam assim.

E é por isso que a porta precisa ficar aberta.

Para que o profeta Elias venha, anunciando a paz entre os povos.

A travessia do Mar Vermelho não pôs fim aos infortúnios do povo judeu.

Muito teriam eles de vagar, ainda, na desolação do deserto. Foi uma dura prova, a que nem sempre resistiram. Quando mais forte se tornou o assédio da fome e a sede, foram queixar-se a Moisés: tu nos trouxeste ao deserto, disseram, para que aqui morramos à míngua. E em seu desespero, chegavam a lembrar com saudade os tempos do Egito: éramos escravos, mas tínhamos o que comer.

Como Esaú, estavam dispostos a trocar sua dignidade por um prato de comida.

Deus não os castigou. Ao contrário: deu-lhes o manjar do céu. O Maná, e as tábuas da lei.

Nesta ordem: o alimento e depois o mandamento. A nutrição para o corpo, seguida do dever espiritual. E esta é mais uma lição que o judaísmo, na sua sóbria e milenar sabedoria, nos transmite: não se pode exigir deveres morais de quem tem fome. Os direitos humanos começam pelo simples, e pelo elementar. Os direitos do homem começam por um pedaço de pão, ázimo ou não.

Vejo, meu filho, que encontras o afikoman que escondi.

Muito bem, tens direito a uma recompensa.

O que queres? É uma história, que queres?

Muito bem. Deixa que te conte então uma história muito curta. É a história de um homem e de sua mala. O homem já não vive; a mala, que eu saiba, já não existe.

Mas a mala estava com a família desse homem há muitas gerações. Nesta mala ele colocou todas suas coisas quando, jovem ainda, deixou sua casa, numa aldeia da Rússia czarista, e foi para a Polônia, onde esperava viver. Lá ficou alguns anos, até que teve de fugir de novo, por causa da ameaça de bandos anti-semitas. Pegou a mala e foi para a Alemanha, a civilizada Alemanha, pensando encontrar a paz. Mas o ano era 1939...

Conseguiu fugir para o Brasil, sempre com sua mala.

Trabalhou duro, no comércio; conseguiu juntar alguma coisa e já estava até esquecendo as privações que passara quando, por ocasião dos distúrbios de rua que se seguiram ao suicídio de Getúlio Vargas, sua loja foi depredada. Ficou tão assustado, que decidiu: daí em diante, nunca mais desmanchou a mala. Estava sempre pronto para partir, a qualquer hora do dia e da noite. Várias vezes pensou que o momento tinha chegado: quando Jânio renunciou, em 1961; quando houve o golpe militar, em 1964, e os policiais prenderam os filhos de seu vizinho. Não chegou a ser necessário. Aparentemente, ele era considerado um homenzinho inofensivo; ninguém se preocupava com ele.No entanto, continuava preparado. Para o Êxodo. Como seus antepassados no Egito, que constantemente evocava. Uma noite um ladrão entrou na casa e roubou-lhe a mala.

E de repente, ele se deu conta: já não podia mais fugir. E assim ficou. Até que uma noite o Anjo da Morte veio chamá-lo; e as pessoas que estavam a seu lado, no quarto do hospital, ouviram-no murmurar baixinho:

Eu não fugi. Eu estou aqui.

Nós estamos aqui. E podemos saborear em paz nosso manjar, nosso afikoman.

Nós o merecemos, como tu o mereceste. Tu, porque o encontraste; nós, porque nos encontramos. Chag Sameach, meu filho.

Da Alecrim, por e-mail

quinta-feira, 12 de março de 2009

Aborto: de la laxa y tantas veces cínica moral de la izquierda - Continuação

Fíjense, por ejemplo, en una de las frases más célebres ofrecidas estos días por algunos de los más destacados dirigentes de la izquierda y líderes de opinión: “Yo no soy partidario del aborto, pero…”, Squeeze dixit. A eso le sigue otra aportación inconmensurable al reino de la hipocresía: “Se trata de crear las condiciones para que no haya embarazos no deseados…”. Y, ¿qué se les ocurre para demostrar que están en contra del aborto y a favor de crear las condiciones para que no haya embarazos no deseados?: ampliar los supuestos de aborto y liberalizar su práctica extendiéndola a la posibilidad de que niñas de 16 años puedan deshacerse de una manera violenta de la vida humana que llevan en su seno sin permiso paterno, lo que en definitiva convierte el aborto en un método anticonceptivo más. Vamos, que echar un polvo sin gomita a los 16 años va a estar a la orden del día, total después pasas por el quirófano y te desprendes de esa ‘cosa’ tan molesta que llevas dentro, ¿no? Eso sí, no se te ocurra comprar tabaco porque el Gobierno de España te pone una multa de aquí te espero, y no te digo nada si se te pasa por la cabeza ponerte al volante de un coche sin carné. Pero matar al ser vivo que llevas dentro, eso va a ser gratis, y todo a mayor gloria del sexo irresponsable.

¡Ah!, pero entonces te salen con eso de los derechos de la mujer y de que los que nos oponemos al aborto nos convertimos en “guardianes de las vidas ajenas” -era algo así, ¿no, Antonio?-, pero, ¿y la vida del no nacido? ¿Esa quién la guarda? Porque ya no hay un solo científico que sostenga que lo que una mujer lleva dentro no es un ser humano, sobre todo teniendo en cuenta que ya ha habido muchos casos de fetos que han sobrevivido fuera del útero materno a partir de las 20 semanas de vida, y la ciencia dice que en un plazo muy breve la esperanza de vida a partir de las 15 semanas será viable. ¿Mataría uno de estos defensores de lo que eufemísticamente llaman ‘interrupción libre del embarazo’ a uno de esos niños una vez nacido? ¿Cuál es la diferencia entre un ser humano dentro del útero materno y fuera del mismo? Si ya sabemos que dentro del útero materno -esto es lo que nos ha aportado la ciencia- es un ser vivo independiente, aunque no autónomo, ¿le negamos los mismos derechos que tiene un ser vivo independiente, pero no autónomo, fuera del útero materno? En base a qué criterio, ¿el de un feminismo mal entendido, o el de una cínica moral que se rasga las vestiduras ante la pena de muerte, pero aplaude y favorece la muerte violenta de seres humanos vivos en el seno materno?

Fíjense que no lo he querido llamar asesinato porque creo que la visceralidad nos hará perder una de las batallas más importantes en este asunto de la defensa de la vida: la del lenguaje, esa que les lleva a ellos a calificar de interrupción una muerte violenta… ¿se imaginan lo que dirían estos hipócritas si alguien calificara de “interrupción voluntaria de una relación de pareja” el asesinato a sangre fría de una mujer por parte de su marido? Pero indudablemente el aborto es un delito, al menos por ahora, siempre que no se circunscriba a la ley que lo despenaliza en unos determinados supuestos. Pese a eso, no hay ninguna mujer en la cárcel por abortar, así que la excusa de que esta ley se hace para evitar esa circunstancia resulta absolutamente arbitraria. Yo nunca metería a una mujer en la cárcel por abortar si este hecho es el producto de unas circunstancias dramáticas, pero cuando una mujer acude al aborto varias veces a lo largo de su vida para resolver la papeleta de haber echado un polvo sin gomita u otro método anticonceptivo, entonces el Estado debería actuar con cierta firmeza, porque la satisfacción personal no está reñida, ni debe estarlo, con la responsabilidad que es una obligación social. Por eso el aborto no puede convertirse en un método anticonceptivo, que es lo que pretende el informe de los expertos que asesoran al Gobierno.

En efecto, la obligación del Estado es, por una razón de salud pública, poner las bases para evitar embarazos no deseados y enfermedades de transmisión sexual, y es aquí, de ahí mi razonamiento del principio, donde debemos separar la razón civil de la razón religiosa: una adecuada educación sexual y el fomento del uso de métodos anticonceptivos son necesarios para lograr estos objetivos. A eso debería unirse una política que éste Gobierno y la progresía en general descuidan conscientemente: la ayuda social, económica y de búsqueda de soluciones menos dramáticas como la adopción, a las mujeres con un embarazo no deseado, antes de proponerles el último recurso del aborto. ¿Por qué no se hace esto? Pues porque, y esta es la raíz del problema, en el fondo la izquierda, incluso aunque nos digan que no son partidarios del aborto, hace del mismo una bandera social, una bandera de conquista de los derechos civiles. Pero es una burda mentira: no hay nada menos progresista que el aborto.

Matar, aunque sea dentro de la ley, es un retroceso. Por eso quienes defendemos la vida estamos totalmente en contra de la pena de muerte, que es otra forma de matar dentro de la ley. En nuestro caso hay una absoluta coherencia, pero no así en el caso de la izquierda: si se está a favor del aborto, no hay razones objetivas para oponerse a la pena de muerte, porque en el fondo los partidarios del aborto cuando comparan un embarazo no deseado o susceptible de entrar dentro de los criterios que la sociedad ha asumido como buenos para aceptarlo, con el “cáncer”, el “infarto de miocardio” o los “accidentes de tráfico”, caen en la misma inmoralidad en la que caen los partidarios de la pena de muerte cuando aseguran que determinados delincuentes son como un “cáncer” social que hay que extirpar. El aborto es un drama, una violencia consentida, una derrota social sin precedentes pero, por encima de todo eso, es la demostración palpable de que la izquierda tiene una conciencia podrida y de que sus banderas no son más que falsos recursos a la demagogia más rancia.
Opinião - El confidencial